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Espionagem digital: estamos seguros online?

Desde a denúncia pública do ex-agente da CIA, a central de inteligência americana, Edward Snowden sobre a espionagem de dados realizada pelo governo norte americano, muita gente tem se preocupado com a segurança e a integridade de seus dados na internet. Além desse caso, recentemente a Rede Globo fez uma denúncia de compra e venda de dados de cidadãos pelo ‘mercado negro’. Dessa forma, como proceder com relação ao que é disponibilizado na internet?

 

O fato é que a internet é um meio público, que não foi projetado para garantir confidencialidade. Apesar de métodos de segurança, como criptografia e sistemas de contenção sobre invasão e vazamento, uma vez que a mensagem esteja navegando na rede, é passível de interceptação – de formas custosas, mas é possível. Quem deve buscar formas de se proteger de invasões são os usuários, procurando se informar, e cabe ao governo repensar suas estratégias de comunicação e buscar novos meios de orientar a população sobre os riscos a que está exposta – isso cabe à segurança pública.

Em 2007, o ex-presidente norte-americano George W. Bush, assinou o Ato de Proteção da América (PAA), oferecendo ao sistema de inteligência americano (CIA) o suporte para usar ferramentas de aquisição de informações importantes sobre atos terroristas. Assim nasceu o PRISM, denunciado por Snowden em uma de suas declarações. Em operação desde 2007, é um programa de vigilância digital, mantido pela NSA (National Security Agency) e construído para fazer o monitoramento das atividades que circulam pela rede de internet em território americano. As informações coletadas, que vêm de diferentes mídias, têm um sofisticado método de mineração de dados, após determinado um alvo de busca. A monitoração é realizada a qualquer pessoa que utilize a internet e que realize alguma transação envolvendo servidores ou serviços que estejam hospedados em solo americano.

O mais impressionante é que o PRISM é capaz de operar em diversos tipos de mídia, como conversas por vídeo e áudio, fotografias, arquivos de e-mail, conversas telefônicas, movimentos pelas redes sociais, salas de bate-papo, ou seja, tudo o que passa pela rede e, para ser monitorado, não importa se os envolvidos na comunicação são cidadãos americanos ou não. Além disso, o PRISM também é capaz de observar os metadados que vão junto com a mensagem, ou seja, todas as informações sobre quem está envolvido na comunicação.

O que assombra nessa vulnerabilidade dos dados é a dependência que existe, hoje, da sociedade com relação à internet. Essa relação de dependência pode ser comprovada por alguns números, conforme divulga o site pingdom.com, que fornece serviços de monitoramento e desempenho da internet. Segundo o site, em 2012 a rede era acessada por 2,2 bilhões de usuários, 1 bilhão de contas no Facebook e 425 milhões de contas no Gmail. Essas contas processam, diariamente, 144 bilhões de e-mails, 5 bilhões de buscas no Google, 2,7 bilhões de cliques na opção “Curtir” do Facebook. Segundo a Febraban, no Brasil 2012 teve 37,5 bilhões de transações financeiras pelo meio digital, representando 42% do total, superando – pela primeira vez – os meios tradicionais.

Por isso a conduta com relação ao uso das informações e o que é disponibilizado em rede deve ser tratado como assunto de segurança pública pelo governo. Além disso, é importante que o cidadão, antes de jogar suas informações em rede, busque saber se existe uma proteção adequada e protocolos de segurança naquela rede, além de buscar saber em que local suas informações estão sendo armazenadas. Caso não queira que suas informações passem pela mineração de dados feita pelo PRISM, por exemplo, deve buscar soluções que não passem pelo solo americano, já que lá suas informações estão mais vulneráveis.

Informação é essencial neste caso. Concorda?

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